Hoje, pela manhã, secava o cabelo em frente a um espelho enorme. Não um espelho qualquer. Sim um espelho daqueles onde vemos a alma, eu pelo menos comecei, em 2009, a ver a minha alma e tudo o resto ali. Uma alma acabada, mas da qual já se vislumbrava o renascimento, um corpo desfeito que se começava a curar, um coração que ainda sentia pânico de bater. Secava o cabelo e observava a mulher que o espelho reflectia. Secava o cabelo e num exercício de memória tentava relembrar o que pensava a outra mulher, aquela de 2009, da qual só existem agora laivos, ainda que vincados. Relembro que ela sentia medo um incontrolável. Relembro que existiam dias nos quais a imagem reflectida a magoava. Outros em que a determinação falou muito mais alto. Esse tempo foi correndo e eu continuava a secar o cabelo, preparando-me para descer e trabalhar e assumia dia a dia aquela mulher nova da qual nem sempre gostava e da qual nem sempre gosto, assumia-a devagar nem sempre com benevolência, a tal que ainda hoje não exerço sobre mim na maioria dos dias. A mulher que, hoje, 11.12.13, aquele espelho reflecte tem, da outra, diferenças incomensuráveis, por certo. A mulher de hoje já não trabalha naquele espaço onde se sente em casa. A mulher de hoje volta ali, agora, diariamente para treinar o corpo, alinhar a mente, fazer bater o coração. A mulher de hoje é mais completa e desce aquelas escadas todos os dias ciente disso.

Sem comentários:
Enviar um comentário