A S. foi a primeira cabeleireira que voltei a ter depois de uma chacina no sítio de sempre. Durante meses e meses ninguém me fez voltar a sentir confiança. A S. fez. Veio de longe. Também é mãe de três. Trabalha de segunda a segunda. E mantém sempre aquele trato de quem trabalha com paixão. Doura-me a ponta dos caracóis. Não deixa fugir a tesoura. Não fala da vida alheia. É uma ruiva sardenta de quarenta e cinco anos que passei a admirar. Hoje precisava de um miminho para mim. A S. foi a minha escolha. Saí de lá tranquila. Existem assim pessoas que me causam esse efeito. Grata.

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