
Os filhos deviam suplantar sempre os pais em tempo. Os filhos nunca deviam morrer. Nunca. Ontem li que quando perdemos os pais perdemos com eles uma parte do passado, mas quando perdemos um filho é o futuro que nos foge. E assim é. O meu mundo tem intrínseco uma mãe em luto. Uma mãe que tem e terá sempre um choro silencioso coberto com um sorriso sempre pronto. Ontem passaram cinco anos desde aquele dia. Dias. Muitos dias. Ligou-me cedo... " vens comigo à missa!?". "Claro que sim!" ...consegui responder-lhe. Ligou-me mais tarde. Perto da hora, daquela hora. "Vou ter que sair do colégio, não posso estar aqui. Preciso de passar este bocado contigo. Estás na clínica ??" . E estivemos. Mas se em anos anteriores chorámos, ontem optámos por passar aquela hora a rir muito, que é algo que nos caracteriza e a falar do futuro. O futuro que, está consciente de não lhe trazer a pequena M. de volta. O futuro que vai trazer somente alegria. O futuro que ela encara sem temores. E eu estalo de orgulho dela.
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