De postura quase sempre reguila. De resposta sempre pronta. Ainda com rasgos vincados de uma personalidade matriarcal que aquela malvada doença quase ia destruindo. Com uma disponibilidade de coração imensa. Esta é a mãe que temos por perto na maioria dos dias. Depois temos os dias como o de hoje, nos quais olha para mim, apagada e me diz que, muita vez pensa que as sequelas com que ficou, a preocupação que sabe que temos com ela, o ter deixado de ter forças para fazer tanta coisa, o de nem sempre conseguir olhar pelos netos, a fazem questionar o porquê, a fazem ter vontade de desistir. Desistir!! Sei que, hoje, como em tantos outros dias, tem dores, está massacrada pelos exames, sente-se limitada, vê tolhidas as forças. Sei que, hoje, não vê no espelho o ar de boneca que a caracteriza. E eu, hoje, talvez, por ter sido apanhada desprevenida, fiquei perdida por entre tudo o que lhe queria ter dito e que, hoje, não fui capaz.

2 comentários:
Por vezes o silêncio vale mais que mil palavras. Beijinho para ti e para a tua mãe.
Pois Bé....mas, deixar uma Tagarela sem palavras é grave.....
Beijinho
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