Existem de facto momentos da vida dos quais guardamos memórias tão reais que nos fazem sentir que estão a acontecer. Este é um deles. A memória daquele 11 de Setembro será sempre uma memória real. Naquele 11 de Setembro eu estava de baixa de maternidade, o V. tinha 2 meses, eu tinha almoçado e cuidava dele. A televisão sintonizada na CNN mostrava imagens que a minha consternação já não permitia traduzir, procurei a Sic Noticias e inconscientemente comecei a preparar-me para sair de casa. Não queria estar ali sozinha com ele. Liguei para a Creche da B. informando que a ia buscar. Desci e entrei no café, já repleto de gente de olhos colocados no ecrã, gente que tal como eu procuraram companhia e um silêncio aterrador era tudo o que se ouvia. As hormonas da gravidez e do parto iniciaram a dança da chuva cá por dentro e eu chorei dias a fio e tal como aconteceu com milhões de pessoas, este dia representou uma catarse, a minha forma de ver a vida nunca mais foi a mesma.

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