“- É verdade que sabes ler, compadre?
- Alguma coisa.
- E que é que estás a ler?
- Um romance. Mas cala-te. Se falas a chama mexe-se e mexem-se-me as letras.
O outro afastou-se para não estorvar, mas era tal a atenção que o velho prestava ao livro que não suportou ficar-se à margem.
- De que é que trata?
- Do amor.
(…) – Não me lixes. Com fêmeas ricas, das que fervem?
O velho fechou o livro num repente fazendo tremer a chama do candeeiro.
- Não. Trata-se do outro amor. Do que dói.”
"O velho que lia romances de amor"
Luís Spulveda
[ ... "do que dói" ...mas, também, do amor que faz deitar cá para fora risos brilhantes, que faz cintilar, que faz ultrapassar barreiras outrora intransponíveis, que faz querer ficar ali e só ali, do que faz querer caminhar devagarinho a um ritmo compassado, do que faz querer cuidar e nutrir de forma desinteressada, do que faz o [ ter ] parecer ínfimo, do que faz o [ SER ] parecer ainda maior !! ]
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1 comentário:
Muito verdade. :)
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