sexta-feira, 30 de março de 2012
[ Do ] Que ela escreve com os nervos!!
A minha querida Joanissima, que se expressa de uma forma única, escreveu isto, e, eu não posso concordar mais com ela.
"Há muitos anos, um grande Amigo, disse-me uma frase que nunca mais esqueci. Que era muito fácil ter Fé quando se sente. Mas que, a verdadeira Fé, é aquela que se (man)tém mesmo quando não se sente absolutamente nada.A Fé é uma coisa engraçada. Está ali sossegada, numa zona de conforto, quietinha, sem incomodar nada nem ninguém, sem causar grandes abalos. Mas há um dia (e nestas coisas há sempre um dia), em que ela belisca, esperneia, esbraceja e, de repente, nos vemos abraçadas com as nossas convicções. Bem tentamos ignorá-la, dizemos que não queremos saber, mas ela começa a furar a zona de conforto e, quando isso acontece, vemo-nos a braços com os nossos medos, com os nossos valores e, às vezes, isso pode ser fatal.Eu sou uma mulher de Fé, assumidamente. Acredito. Quando se sentem certas coisas, quando se vivem determinadas situações, é impossível não se acreditar.Ultimamente tenho sido confrontada com algumas vivências que insistem em abalar a minha Fé. Gente para quem sempre olhei com reverência e respeito, de repente deixaram-se possuir pela maldade que normalmente o dinheiro implica, e permitiram que a ganância e a soberba tomassem conta da sua honra e da sua alma. Venderam-se. Escolheram o pó em vez da brisa. Optaram pelo fétido em vez do perfume.
Eu acredito que Deus é um tipo com um sentido de humor maravilhoso (e verdadeiramente divinal) e acho que Ele se deve estar a divertir à brava à custa dos meus confrontos e dos meus anseios. Continuo a acreditar. Mas, e porque a Fé também é feita dos herois que nela construímos, sinto-me abalada e confusa. Se é certo que Deus não pertence a ninguém, se é certo que Deus mora em nós, há pessoas que são, ou deveriam ser, portos mais abrigados, moradas mais sagradas. E quando não são? E quando aquelas pessoas que têm uma responsabilidade e uma consciência religiosa privilegiada, são as primeiras a decepcionar e a trair? Eu sou uma mulher de Fé, assumidamente. Acredito. Quando se sentem certas coisas, quando se vivem determinadas situações, é impossível não se acreditar.Há gente a olhar por nós. Há um Amor maior que não quer morrer em mim.Porque no fim de tudo, tal como no princípio, o Amor serve para ser gasto.E, apesar dos decepcionantes exemplos, apesar dos tortuosos caminhos, apesar das miseráveis expressões de religiosidade, eu quero muito gastar o Amor que vive em mim."
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