Ainda que rodeada de uma imensa multidão, de quando em vez, sou invadida pela estranha sensação de solidão pura ou de pura solidão, nem sei bem se existem diferenças mas, a existirem elas fundem-se no mais intimo de mim. Este quadro sensitivo de características depressivas [ segundo alguns ] , diria que me deixa exausta, simplesmente exausta. Nestes dias o deitar a cabeça na almofada representa a acção de cair no vazio que, o estampido que provoca o apagar da luz, transforma numa torrente imparável e silenciosa de lágrimas que ensopam com quietude o lugar quente onde me deito. Quando a torrente acalma, pode, eventualmente, nada ter mudado no sentido prático da coisa mas, a leveza na alma é sempre notória, quanto mais não seja, pelo simples facto de, horas mais tarde, um novo dia nascer e todos os que me rodeiam precisarem dos meus cuidados de sempre.

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