Esta noite, um momento de partilha [ daqueles momentos únicos na vida ] expôs-me a uma memória viva que guardo no andar de baixo do meu Baú. Chamo-lhe memória viva porque, na realidade, não lhe posso chamar outra coisa. O momento sobrepôs-se ao que partilhei e a ânsia de cuidar dele, de o mimar trataram do resto. Falar, no entanto, sobre o assunto provocou em mim uma imensa comoção que julguei passageira, mas, existem coisas que nunca passam e esta é uma delas. Permanece como uma cicatriz mental que dilacera, uma cicatriz que já quase me corroeu a vida. Já de manhã voltei a cair de joelhos. Já de manhã voltei a chorar compulsivamente. E, foi, já de manhã que voltei a sentir saudades do que não deixei viver e, também, do que deixei de viver. Mas, olhar para cima faz sempre com que regresse curiosamente mais forte. Regressei, desta vez, envolta num profundo mar de gratidão. Grata por tudo o que consigo dia a dia. Grata por tudo o que não tinha e que agora tenho. Grata por tudo o que nunca senti e agora sinto.
[ ...porque, "a falta de consciência, é a ausência de si próprio" a sensação de ter a minha consciência presente faz com que me sinta, inevitavelmente, mais próxima do meu ser interior ]

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