A existirem momentos nos quais gostaria de ter uma cabana no meio do mato isolado, esta noite tinha sido um deles. Perto da uma da manhã acordei estremunhada com os gritos dos meus vizinhos do prédio ao lado. Não é a primeira vez que acontece. Não será tão pouco a primeira vez, nem a segunda, nem a terceira. Ambos na casa dos trinta. Não têm filhos. Não são casados. Moram juntos vai para uns bons anos. Sei quem são, ela, especialmente. De forma gradativa o índice de violência de ambas as partes tem aumentado. Nada que seja novidade. Esta noite atingiu o auge. Apanhou. Fechou-se na casa de banho. Não abriu a porta. Porta rebentada. Voltou a apanhar. Berrou. Implorou que a largasse. Ele largou continuaram a gritaria. Ela não se calava. Ele abriu a porta, quis colocá-la na rua. Ela suplicou que não o fizesse. Serenaram mais tarde.
Eu ?!?! ...pois, são 14h e ainda não estou totalmente serena. Levantei-me aos primeiros berros. Fui ver os meninos. Aconcheguei-lhes os ouvidos para não acordarem. Voltei para a cama. Meti a cabeça debaixo do endredon. Passaram o limite da discussão. Sentei-me na cama. Comecei a sentir a transpiração, os músculos a quebrarem, o corpo a tremer. Fiquei ali, simplesmente ali, sem reacção de jeito. A sentir-me gelar até aos ossos. Porque isto afecta-me ...senhoreeeeess...isto ainda me afecta e eu tenho cá para mim que me vai afectar sempre. Vou evoluindo. Tratando mazelas. Mas, o passado, tende sempre a assolar-me nos momentos mais impróprios...
[ esta neura tem de passar...porque, hoje é noite de família junta. Celebramos o AMOR de onde eu nasci. É dia de Nossa Senhora das Candeias patrona do AMOR dos meus pais que comemoram 38 anos de casamento...por isso arribar é a palavra de ordem !! ]

1 comentário:
Que coisa horrível! Mas pronto, em tua casa está tudo bem..
http://pegadafeminina.blogspot.com/
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