A propósito do que li no Arrumadinho ...relembrei tanto que aprendi sobre o assunto ...as acesas discussões interiores e exteriores que o mesmo já suscitou ...relembrou-me também o momento que questionei o R. dizendo... " tens a certeza ?!? ...sabes que tenho os meninos...?!!" ...ao que serenamente respondeu ..." sim tenho, quando te conheci já os tinhas, eles são parte de ti e seres mãe faz em muito, seres a mulher que és e seres a mulher que és, faz de ti, a eleita do meu coração!"
Se isto me tirou todas as dúvidas não sei mas, sossegou o meu intimo, definitivamente.
«Há mulheres que defendem que os homens que já têm filhos devem ser retirados do "mercado" porque as relações com eles são uma fonte de problemas. Há outras que defendem mais ou menos o mesmo, e que sugerem que os pais divorciados devam apenas relacionar-se com mulheres na mesma situação, já que se compreendem mutuamente e têm mais facilidade em lidar com os problemas inerentes aos "filhos dos outros".
Lembro-me de há uns anos ter tido uma discussão violenta com uma pessoa que me disse que o facto de eu ter um filho representava "uma limitação". E apesar de, racionalmente, eu perceber o sentido da palavra "limitação", e de até entender que para uma mulher solteira e sem filhos será mais confortável envolver-se com um homem sem filhos, custou-me muito ouvir aquilo. E quem pensa assim poderá estar a querer evitar um problema para mergulhar num ainda maior.
Nos dia de hoje parece-me demasiado preconceituoso e até estúpido pensar-se que os pais (ou mães, claro) divorciados são "fontes de problemas", e que os filhos que eles trazem de outros relacionamentos representam "uma limitação". Mas será preferível encontrar uma pessoa que não tem essa limitação, mas que depois é viciado em álcool? É preferível encontrar uma pessoa que não tem essa limitação, mas depois trabalha 15 horas por dia, e passa os fins-de-semana a trabalhar no computador de casa? É preferível encontrar uma pessoa que não tem essa limitação, mas depois odeia viajar, não gosta de livros e passa o dia em casa deitado no sofá a vegetar? É preferível encontrar uma pessoa que não tenha essa limitação, mas que se revela um ser completamente acéfalo e desinteressante?
Todos temos limitações, umas maiores do que outras, umas mais graves do que outras, mas claro que para se vencerem essas limitações é preciso esforço e empenho. Conquistar uma criança, o seu afecto, o seu amor, parece-me uma tarefa bem mais interessante do que afastar um homem do álcool, da droga, ou lutar contra a profissão dele, para que a relação não esteja sempre em terceiro ou quarto plano (atrás do trabalho, dos amigos, da família, etc.).
Claro que há gente que pode não ir à bola com criancinhas, mas lá está, ultrapassar potenciais problemas dá trabalho, obriga a alguns sacrifícios, mas as relações fazem-se, também, de momentos altruístas, em que se calhar não estamos a fazer o que mais nos apetecia na altura, mas estamos a "trabalhar" para a felicidade comum. Para um padrasto ou uma madrasta, ir à Kidzania com o enteado pode ser a coisa mais entediante do mundo, mas também pode ser um momento em que nos entregamos a ele e participamos, com ele, num momento de felicidade, o que só irá fazer com que ele goste mais daquela pessoa nova que entrou na vida dele.
Claro que depois há o outro lado, que não depende da criança, que é a relação do nosso companheiro ou companheira com a ex ou o ex. É óbvio que vai ter de haver esse contacto durante muitos anos, mas parece-me que quando os casais estão separados todas as conversas, todos os contactos, todos os assuntos andam à volta do mesmo: a criança. Há gente mais intrometida, há casos de paranóia, mas na maior parte dos casos o tempo resolve isso.
Acredito, sobretudo, que quando se ama não se deve desistir de alguém só porque essa pessoa tem um filho de outra relação. Conquistar a criança pode ser um desafio fascinante, que terá como retribuição amor. E isso não tem preço.
Por outro lado, hoje em dia, quando o número de divórcios cresce todos os anos, quando parece que todos temos cada vez menos paciência para fazer funcionar os casamentos, o que mais começa a haver é pais e mães solteiros. E a pessoa que hoje recusa um homem porque ele tem um filho pode bem ser, amanhã, a discriminada. Pensem nisso.
É tão difícil encontrar gente boa, interessante. Se vamos limitar o universo, excluindo os que já têm filhos, arriscamo-nos a acabar com um traste. Mas ao menos vem sem "mochila". Que bom.»
In O Arumadinho

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