Retenho memórias. Sou uma pessoa de reter memórias. Sempre fui assim. Sempre me lembro de ser assim desde que tenho...memória de mim. Guardo as pessoas, os sabores e os aromas. Guardo os nomes e, os detalhes. Guardo as músicas, as palavras ditas e, tantas vezes, as palavras que ficam por dizer. Guardo os sons. Mas, mais importante que tudo, guardo sensações. As muito boas, as boas e, também as menos boas. As sensações que me fazem sorrir. As sensações que me fazem sentir quente por dentro. E, também, as sensações que me fazem soltar um esgar interior capaz de me arrepiar a alma. Enalteço as primeiras. Quem me conhece sabe que é delas que retiro a energia e a luz que me faz seguir em frente. Mas, as últimas nunca são varridas para debaixo do tapete. Lido com elas, estudo-as com afinco até serem apenas uma memória retida. Uma memória onde ir, eventualmente e, caso se justifique, buscar um ensinamento para a vida. E, serenamente, vão, estas memórias todas, sendo colocadas, uma a uma, no meu velho baú, aquele que remodelei por dentro, o mesmo que mantenho com a tampa entreaberta para que o fluir das memórias seja visão do caminho percorrido e auxilio para estabelecer dia a dia novas metas.

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